O coração humano foi feito para a alegria, que gera força, fecunda a
criatividade e é fonte perene de humanização. Há, pois, uma permanente e
legítima busca pela felicidade. Mas, no contexto atual, muitas pessoas,
valendo-se da liberdade e da autonomia, tomam rumos que levam às
satisfações efêmeras, distanciando-se da verdadeira alegria, que é
permanente. Corre-se, assim, o risco de apegar-se ao que é efêmero, por
falta de capacidade para discernir bem.
Um drama existencial que conduz muitos a experimentarem sensações
agradáveis, mas que são fugazes, alcançadas a partir de futilidades e da
indiferença em relação às outras pessoas. Essa atitude egoísta
configura um ciclo perverso, viciante, em que é alimentada a necessidade
de experimentar, a qualquer preço, alegrias efêmeras para ocupar um
vazio na interioridade, nunca plenamente preenchido.
Esse fenômeno existencial incide na vida de muitas pessoas,
influenciando fortemente as dinâmicas sociais. Cria-se, assim, um campo
fértil para manipulações, descompromisso com a solidariedade, disputa
predatória, esquemas de corrupção. Na raiz desses problemas, está a
equivocada convicção de que o poder e as posses são garantias de
felicidade duradoura. Uma crença muito comum, que mostra bem como a
cultura de um povo é determinante para a sociedade tornar-se capaz, ou
não, de conquistar a verdadeira alegria.
Vazio existencial
Certamente, é bem mais feliz um povo que consegue perceber a alegria como algo diferente de certas sensações – euforias e sentimentos passageiros, conquistados a partir de atitudes que, muitas vezes, desrespeitam os parâmetros da ética. Uma sociedade com essa capacidade de discernimento alcança equilíbrio em diferentes campos, a exemplo da política e da economia, pois as alegrias duradouras se propagam, geram ecos.
Certamente, é bem mais feliz um povo que consegue perceber a alegria como algo diferente de certas sensações – euforias e sentimentos passageiros, conquistados a partir de atitudes que, muitas vezes, desrespeitam os parâmetros da ética. Uma sociedade com essa capacidade de discernimento alcança equilíbrio em diferentes campos, a exemplo da política e da economia, pois as alegrias duradouras se propagam, geram ecos.
Já a satisfação efêmera não sacia o coração humano de sua sede de
sentido. Cada alegria passageira, quando se esvai, deixa uma lacuna
interior que contribui para desajustar a vida humana, impactando
negativamente os humores e as razões. Esse vazio existencial evidencia
algo urgente: é preciso aprender a buscar a felicidade duradoura,
dedicar-se a um processo de aprendizagem para conquistar,
progressivamente, envergadura humana e espiritual. Assim será possível
reconhecer, por exemplo, que a vitória em uma partida de futebol não é
alegria duradoura, e a derrota também não é “o fim do mundo”, porque
existem coisas mais determinantes e razões maiores que definem o futuro
de uma pessoa ou do próprio povo.
A existência humana é uma construção. Tem seus altos e baixos, as
sombras e as luzes, mas deve ser sempre uma busca pelo que confere
sentido e sustenta a vida: as alegrias verdadeiras que geram ecos,
desdobrando-se em diferentes tempos e lugares. Na procura pela autêntica
felicidade, vale recordar uma lição de São Francisco de Assis.
Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, via Canção Nova
Disponível em: http://noticiascatolicas.com.br/buscar-a-alegria-duradoura-a-luz-do-evangelho-produz-ecos.html

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