Sob a ação da fé, na ação divina, e baseados nas Palavras da
Escritura Sagrada, podemos dizer que Deus faz escolhas entre as pessoas.
Mas na preferência estão os pequeninos, os fracos, para confundir os
poderosos da sociedade. As oito pessoas mais ricas do mundo, conforme o
anunciado pela imprensa nestes dias, não conseguem entender essa forma
própria do agir de Deus.
A felicidade não está no ter e nem no poder, porque a vida de todos
passa, também a (vida) das pessoas mais ricas e poderosas. Talvez a
maior riqueza esteja em quem não tem nada, a não ser a vida. Quem não
tem excesso de bens materiais, tem maior facilidade para construir uma
fraternidade comunitária. Tem mais abertura para o encontro com as
pessoas das mesmas condições.
É fundamental viver centrado em Deus. Ele é o poder e a riqueza, e
não nos confunde. Através da apresentação das Bem-aventuranças (Mt
5,1-12), Jesus diz que quem as observa é bendito do Pai. Supõe desapego
dos bens do mundo, que é um desafio, mas ajuda na partilha com os outros
e o coração fica sem amarras. Onde há partilha, existe lugar para
todos, porque há inclusão.
Deus escolhe as pessoas sofridas de uma sociedade injusta e
excludente. São os que não contam, são estranhos para a cultura do
consumismo e não participam desse mercado. Elas apenas lutam pela sua
sobrevivência e se tornam vítimas de preconceitos e discriminação. Deus
sempre se põe ao lado dessa gente e valoriza o esforço e a coragem
presentes em seus corações.
Felizes as pessoas mansas e puras, porque são despidas de todo tipo
de agressão, e estão alicerçadas na não violência. Significa que
valorizam o outro na sua dignidade, e por isso não o ofende. Não se
deixam corromper pelos deuses da atualidade: dinheiro, poder, consumo
etc. Sabem que a vontade de Deus é a justiça praticada para todas as
pessoas na construção dos objetivos do Reino do bem.
Existem muitas falsas seguranças. Elas não proporcionam a verdadeira
felicidade. E as escolhas feitas por Deus mostram que a fragilidade
confunde o falso poder. A glória pertence ao Senhor, como diz o Apóstolo
Paulo: “para quem se gloria, glorie-se no Senhor” (ICor 1,31). A glória
do Senhor é a cruz, o amor. Só quem ama de verdade, amando o irmão, é
capaz de participar da glória de Deus.

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